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  • Talita Rauber

Resenha: Gothic: Transmutações do Horror no final do Século XX (parte 1)


O livro Gothic: Transmutações do Horror na Arte do Final do Século XX, 1997, foi editado pelo curador do Instituto de Arte Contemporânea (ICA) de Boston, chamado Christoph Grunenberg. O livro é resultado de uma exposição com mesmo nome, organizada pelo curador, na qual vários artistas contemporâneos foram convidados a participar. A maioria das obras citadas são produções dos anos 90. O livro, editado pelo curador, contém um capítulo, escrito por ele, sobre o Gótico na arte contemporânea, conteúdo das resenhas. Nesta primeira parte, vou postar sobre o Fin de siécle.

(ISBN 10: 0262071843)


“A predileção pelo Gótico tem afetado profundamente todas as áreas da vida contemporânea - desde “alta” literatura a romances baratos de ficção científica, mistério e romance; penetrando arte, arquitetura, design, moda e design gráfico [...]” (p.2010)



Fin de siècle


O livro em questão e sua respectiva exposição foram realizados em 1997, final do milênio que, segundo Grunenberg (p.208), apresentou vários sintomas pessimistas de fin de siècle, um sentimento de fim, com a aproximação de várias catástrofes naturais como o aquecimento global, explosões misteriosas e ameaças de meteoritos que podem destruir a Terra. Enquanto isso, teóricos debatem fins, como O Fim da Arte (Danto) ou da História (Fukayama), e movimentos sociais e religiosos radicais ganham mais adeptos pelo mundo.



Além de especulações científicas e filosóficas como as citadas, Grunenberg alerta para o medo presente na sociedade, causada pelos “perigos da vida urbana, crimes aleatórios, acidentes bizarros e perigos de saúde ocultos” (p.207). Houve também a proliferação de serial killers fazendo com que as pessoas temessem ser as próximas “vítimas randômicas” de assassinos insanos que repreenderam seus desejos sexuais mais intensos. Para Grunenberg, o serial killer é “a emblemática natureza essencial de Doppergänger do indivíduo moderno: [foi] uma vez iluminado, livre e emancipado, mas [foi] também regulado e limitado a restritos códigos sociais normativos, necessidades econômicas e pressões competitivas ao consumo” (p.207). Com o perigo eminente, as pessoas se trancam em suas próprias casas com medo de sair pois o mundo lá fora é muito perigoso e assustador. Para o autor, a solução parece ser ou buscar crenças tradicionais que supostamente trariam a normalidade de volta, ou se posicionar fatalissimamente e cinicamente ao mundo.


“Nós estamos vivendo em tempos particularmente terríveis - em um período Gótico de medo, horror e desintegração moral, e indulgência com prazeres perversos. ‘Gótico’ se tornou a contrapartida a humores sombrios e perturbadores, locais e subprodutos culturais dos últimos dias da América. [...]” (p. 210)

Agora, eu pergunto a você, leitoras, qualquer semelhança à quarentena-pandemia-do-Covid é mera coincidência?!


Na próxima semana vou postar sobre o Gótico e a Censura na Sociedade.


OBS.: Essa resenha foi feita por mim para uso pessoal no meu TCC em Artes Visuais, e estou postando-a num formado menos acadêmico, para que meus amigos góticos também tenham acesso a esse tipo de conhecimento, que me foi tão difícil e demorado de encontrar nesses anos. Assim, quem sabem, um dia, o gótico seja levado mais a sério nas áreas do conhecimento.


Texto e tradução das citações por Talita Rauber.




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